Be Free
To young, to dumb, to realize!
Oooi... fui eu q pedi p vc contar. Sl, tive vergonha de vir logada

Nada ver po haha, então, há um pouco mais de um ano eu fazia cursinho pré vestibular, era da zuera, andava de skate, matava aula, fumava maconha pra caralho, bebia, só queria saber de show e farra e tal, mesmo assim, com 18 anos, eu ainda era virgem. Conheci aqui no tumblr o (garoto) não vou por nome dele e nem url, e ele começou falar comigo, dizer que gostava de mim, era da minha cidade e depois de umas semanas marcamos de se ver. Começamos namorar no primeiro encontro, velho, eu com aquele meu jeito largada me apaixonei de cara, eu realmente me apaixonei. Nosso namoro era cheio de problemas, porque ele era ciumento demais, possessivo, não curtia que eu saísse pra andar de skate com meus amigos, ficava bravo por pouco e nisso começaram as brigas e o vai e volta, a gente sempre terminava, ele chorava, eu chorava, ele pedia desculpas, eu pedia também e a gente voltava, até porque a gente se amava demais, eu achava, ele dizia que sempre ficaria do meu lado independente do que acontecesse, nunca me abandonaria, que eu era a mulher da vida dele então a gente dava um jeito de se acertar sempre,e nisso passaram meses.. Então no ano passado, final de setembro, eu terminei com ele porque ele fez uma parada comigo que não posso falar aqui, eu terminei. Duas semanas depois eu desconfiei que tava grávida e liguei pra ele, ele foi fazer exame de sangue comigo e tudo. Uma semana depois, dia 10 de outubro, lembro como se fosse hoje, peguei o resultado, e descobri que eu estava grávida, fui pra faculdade, eu estava calma, pensei, ele me ama, vamos voltar, ele sempre disse que não me deixaria se isso acontecesse.. liguei pra ele por volta das 22h quando acabou minha aula, eu estava no banheiro da faculdade e então contei e ele com uma voz calma disse ”eu não vou ficar com você, não vou voltar, sério” eu desliguei na cara dele e sai chorando de lá, na minha mente só pensei em aborto, me matar e sei lá quantas outras besteiras, mas fui pra casa e contei pra minha mãe. Naquela madrugada eu liguei pra ele de novo, chorando, implorando pra ele não me deixar, que eu precisava dele demais, e ele gritava que não ia voltar e desligou na minha cara. No outro dia contei pro meu pai e ele me ofereceu um remédio pra aborto e eu fui pra casa dele, eu ia tomar, ia mesmo, mas ouvi uma música ”final comum - nocivo shomon” e pensei que se eu fui mulher pra fazer, eu deveria sofrer as consequências, e falei com meus pais e eles por mais que bravos e com razão, me apoiaram. Além dos meus pais eu tive anjos, amigas que não me deixaram, me deram colo.  Colo que nem sempre era suficiente, porque entrei em depressão e mal ia pra aula, alias, eu mal saia do quarto. Mas sei lá, o tempo foi passando e eu me acostumando com a idéia e tudo foi se ajeitando, o garoto não me procurou mais que duas vezes nos 9 meses e eu mesmo amando ele ainda deixei ele pra lá, ele já estava com outra, eu recebia noticias que ele tava feliz e nem ligava pro que tava acontecendo comigo, então aprendi viver sem ele. E no dia 23/04 desse ano nasceu Caue, meu amor, minha vida, com o nome do meu melhor amigo, que nas noites mais tristes ficava me ouvindo e consolando. É isso.

Tupac Amaru Shakur nasceu em Nova Iorque, no dia 16 de junho de 1971, e morreu em Las Vegas, no dia 13 de setembro de 1996, após ser baleado seis dias antes durante uma briga que aconteceu depois da luta entre Mike Tyson e Bruce Seldon, no MGM Grand. Mas eu não quero falar sobre como ele morreu ou dos erros que cometeu para eventualmente ser morto. Eu quero te mostrar como este músico genial, que contrariou todos os padrões dos “rappers” tradicionais sendo aparentemente igual a todos, viveu os seus breves 25 anos e o impacto que causou.

Tupac  vendeu, até morrer (e as vendas aumentaram absurdamente depois disso e continuam crescendo até hoje), cerca de 75 milhões de álbuns e, além de ser músico,  foi ator e ativista social. Seu trabalho sempre foi sobre como crescer no meio da violência e da miséria nos guetos, racismo, os problemas da sociedade, amor e ódio. E estes dois últimos são os que realmente mais me impressionam, pois poucas pessoas reúnem tanta intensidade em ambas as direções.

Tupac foi alvo de diversas ações judiciais e teve vários problemas legais. No início de sua carreira ele foi atingido por cinco tiros no corredor de um estúdio de gravação em Nova Iorque, o que desencadeou uma briga  com outros rappers, entre eles Notorious Big. Até então, Notorious Big e Tupac, que eram amigos de infância, tentavam realizar o que parecia impossível: uma união de amizade entre os rappers da Costa Leste e  Oeste dos EUA, mas, após este episódio, Tupac passou a ver Notorious como inimigo.

Notorious fez uma música intitulada “Who shot you?” (Quem atirou em você?), ironizando de forma direta o atentado sofrido por Tupac em Nova Iorque. Em retaliação, Tupac escreve diversas letras sobre ódio e vingança, sendo a música “Hit them Up” (Acertá-los em cheio) a mais agressiva e musicalmente fascinante. Nela, ele afirma, entre muitas outras coisas, que transou com a mulher do Notorious, e não com essas palavras. Na verdade, ele diz “..you claim to be a player but I fucked your wife” (Você diz que é um gangster, mas eu trepei com a sua esposa).

Depois de muito ódio e letras desse tipo, Tupac começa a falar que sabe que vai morrer baleado. Ele diz que sempre soube que morreria baleado e então começa afirmar que o tempo está acabando.  Ele se tranca em estúdio praticamente 24 horas por dia e apresenta trabalhos como Changes, no qual diz que “gostaria de voltar ao tempo em que eles brincavam como crianças, mas que as coisas mudaram e é assim que funciona…”. Além disso, outras letras como Until the End of Time trazem mensagens de amor, redenção e indicam que ele realmente sabia que o tempo estava acabando:  “Se um anjo descer e me levar embora, memórias minhas e das minhas músicas permanecerão até o fim dos tempos….”

Toda a obra de Tupac Amaru Shakur me fascina pela intensidade e paradoxos: um ser humano cheio de defeitos e virtudes, ódio, amor, que veio à Terra e em apenas 25 anos deixou um legado maior do que a maioria das pessoas consegue em 80 ou 90 anos de vida.

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